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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Paixão II

Era o fim de uma história de amor, dentro de mim correntes de ferro a se arrastar. Neste estado encontro uma grande dama das que compõem as minhas amizades e, num ímpeto, derramo sobre ela a minha tormenta. Depois de tudo escutar, e como forma de consolo, a diva, do alto de seus oitenta anos, me diz:

- Também estou apaixonada. Só que ele não sabe. Nem precisa saber. A paixão me faz ir para o teatro todos os dias e vibrar. Eu coloco essa coisa vigorosa no trabalho, e assim, experimento o amor, transformando-o naquilo que sei fazer de melhor.

Falou mais bonito do que isso, mas passado algum tempo, o que ficou daquele momento de sabedoria compartilhada, foi a ideia da paixão como propulsora dos nossos talentos, como viabilizadora de delírios, e como força motriz para aquilo que precisa ser feito, mas não acontece, porque ela desperta movimentos estagnados dentro da gente. Uma paixão sem dono a serviço do mistério, nos dá ânimo para fazer deslanchar qualquer impulso, é a dor que se cura ao se deslocar do amor - basta misturá-la com um bocado de coragem e se lançar à vida, e à criação.

No momento atual, que para mim é de virada, a receita se ajusta trazendo alento a um processo incômodo, mas necessário. Hábitos e trejeitos que foram naturais até bem pouco, precisam ser substituídos por outra forma de agir inexplorada. Dia desses assisti a uma atriz francesa, cinquentona, digna e bela, sendo entrevistada por um senhor bem apessoado. Ela falava inteligências, soltava tiradas que exibiam sua perceptividade aguda, tudo parecia sensível e surpreendente. Contudo, havia algo ali que não ia bem, e pelas tantas percebi um tom de sedução barata a macular a dignidade do quadro.

Muxoxos e gestos forçados surgiam vez por outra nas entrelinhas dos pensamentos, e para minha decepção, o encanto daquela mulher extraordinária foi se desmanchando lenta, mas inexoravelmente à minha frente. Era constrangedora a necessidade de seduzir com armas inferiores aos atributos de sua beleza madura. Era vulgar vê-la lançando mão de algo aquém de si mesma. E era triste perceber que a sofisticada criatura levava o mecanismo tão entranhado em si, que não se dava conta da banalidade a que se prestava.

A afetação, os cabelos pra cá e pra lá, certos maneirismos afins, são graciosos em uma moça de vinte cinco, mas mostram-se intoleráveis em uma senhora de cinquenta (por mais bela que se mantenha). Aos vinte, vivemos questões que atravancam nosso desenvolvimento, e que, envergonhados, tentamos mascarar para lidarmos com eles na surdina: são nós, inseguranças, medos e outras chatices que assolam a todos, inibindo alguns mais do que outros. Com os anos, muito disso vai se dissolvendo, e para quem tem densidade, sem os percalços a imobilizar, certa consistência passa a transparecer nos diversos aspectos da vida: no trabalho, amor, nas conversas, na amizade, em cada empreitada.

É isso o que torna interessante uma mulher madura, uma pessoa madura. Já não é viço do rosto ou o corpo bem feito, mas algo que vibra dentro numa postura segura e vigorosa. Essa beleza tem a vantagem de ser perene, e para que perdure robusta, há que se encharcá-la sempre que possível, de entusiasmo ou paixão, seu sinônimo. Tendo fraturado ossos e queimados sabe-se lá quantos neuronios ao longo da vida em função de um excesso de entusiasmo voltado a qualquer aventura que se apresentasse, decidi, a fim de preservar o esqueleto aquebrantado, investir em novos amores que me instiguem tanto quanto, mas que não mais me desintegrem.

Além do ofício escolhido, investigarei a fundo as artes plásticas contemporâneas, estudarei o entre-guerras com afinco, incursionarei pela música de forma metódica, lerei concentrada os livros da estante, dedicarei horas preciosas aos amigos diletos. Entregue a novas paixões lanço frentes de prazer para um futuro, que, benza deus, se apresenta cada dia mais sedutor.

sábado, 28 de maio de 2011

Mais de mim

Minha vida é cheia de despojo e muita cor. As cores são a forma que eu encontro para representar a variedade de cheiros que o meu contato com um mundo diverso de humanidades me proporciona um universo olfativo impossível de definir em palavras.
É desse mundo muito mais rico que eu alcanço que eu quero falar, porque é neste ponto da história que a enfermagem entra na minha vida, o mundo vira e o que era longe ficou perto. Atirando-me ao desconhecido aos cuidados apenas de conhecimento e de que a humanidade inteira é a minha família.
Hoje, sou mais leve, transparente e muito feliz. E meus olhos brilham quando conto essa experiência. Nos momentos de maior brutalidade se turvam – e depois voltam a brilhar. Não perco a oportunidade de rir e minha voz é sempre suave. E quando eu abraço as pessoas, abraço. É isso. Vale cada linha para mim.
Há coisas sobre as quais nós precisamos pensar... Porque provavelmente alguém, em algum lugar está esperando por você.
Acredito que todo profissional da saúde busque prover cuidado para o outro. Mesmo que não seja ninguém da sua família. Sim, mas qual é o seu conceito de família?
Quando a gente faz o que gosta todo dia é segunda feira de manhã. Não existe sábado, não existe domingo. Você acorda e é segunda – feira, no outro dia é segunda feira de novo, e no outro ainda é segunda – feira, mas olha só, tem de fazer isso, isso e isso. A gente briga muito, discute muito, mas todo mundo tem um foco. O principal foco é cuidar, tem gente que precisa de ajuda, que precisa ser cuidado.
Todo mundo sabe quando faz algo que dá sentido a sua vida... É assim, você está cansado, mas a alma está salva porque você está se sentindo bem com o que está fazendo.
É claro que nem tudo é fácil, as coisas na vida são um pouco duras também. Um pouco não. São muito duras. Mas eu sou otimista demais, nunca acho que as coisas vão dá errado. Eu sempre tenho certeza que vai dá certo. Mesmo quando dá errado é porque está dando certo. Eu não tenho medo do que vou encontrar quando chegar lá. Isso não me inquieta. A urgência é do outro, mas é minha também. Porque uma vez que eu estou lá vivendo a urgência. Eu estou junto. Você vive isso junto com o outro. É uma forma de dizer para o outro que ele não está sozinho. Às vezes só pelo fato de você está no mesmo espaço físico que ele, você está mostrando que é perigoso, mas você também está ali, que funciona que você pode ficar.
A enfermagem também é psicologia. O pedido do paciente é sempre o mesmo. “me ajude a esquecer”. A minha resposta é sempre a mesma: “infelizmente, eu não posso te ajudar a esquecer. Lembrar você vai sempre. O que eu posso fazer é te ajudar a lembrar da dor com menos sofrimento”.
Fico chocada com ouço alguém dizer que não tem nenhuma razão para viver. As pessoas pensam que a dor é permanente, mas não é. Eu sei que o sofrimento existe, mas a gente não pode parar. Para mim, cada dia é um ensinamento diferente. Então, porque não procurar uma vida nova e uma nova razão para viver. Tente se lembrar das coisas que o fazia feliz antes de as coisas ruins acontecerem. Tente se lembrar da ultima vez em que foi feliz. Reinvente uma nova forma de viver.
A vida não é só sofrimento, tem beleza, tem riso, tem desejo. É um negocio impressionante. E deve ser vivida com todos os sentidos, o que você escuta, o que você vê, o que você toca, o que você sente, o que você cheira...
Não é preciso focar muito no que fica, mas no que você está indo buscar. Você tem sempre uma alternativa. Não é a escolha em si que o faz feliz. É o significado que você dá a ela. Às vezes me incomoda não encontrar algumas respostas. Mas sei que o mundo não pára porque eu não as encontrei. O mundo continua. E tudo o que você faz tem reverberação dentro das pessoas... E dentro dos espaços.
Tem uma sensação boa quando alguém liga e diz que precisa de sua ajuda naquele momento. Para mim, parece que esse alguém diz: Suely, você acaba de acertar o bilhete premiado da loteria federal, e você ganhou sozinha. Pode ser a décima vez que eu recebi aquela ligação, mas cada vez que alguém me liga é a primeira, é uma felicidade, uma sensação única. Podia ser qualquer outra pessoa, mas escolheram a mim. Sou eu quem estará indo vivenciar, dividir a experiência com aquela pessoa, naquele momento, em algum lugar. E eu sou a pessoa mais feliz do mundo cada vez que alguém me liga e eu digo que estou indo. O ser humano não é congruente, nem lógico.
Devo tudo isso a minha mãe. Que é uma pessoa libertadora, que nunca me podou. Uma vez, eu escrevi uma carta para ela agradecendo por ter me dado a vida, mas também asas para eu saber que podia voar para qualquer lugar e também raízes para eu saber que podia voltar sempre que precisasse. Além de ser libertadora, ela sempre foi muito confiante nas suas escolhas. Desde pequena eu escuto: “se você acredita que dá para fazer, vá e faça”. Minha mãe sempre dizia e diz até hoje. “Mas o que você acha minha filha, você acha que isso vai dá certo?” e eu sempre acho que vai dá certo. Então, faça, ela diz. Você tem mais coisas dentro de você do que consegue me dizer. Então se acha que dá para fazer, faça. Desde pequena é assim.
Minha família é a minha vida. Eu os levo junto comigo a qualquer lugar, porque eles são um pouco de mim. E eu não tenho como fugir. Eu estou junto comigo o tempo todo. Não me causa dor voltar para casa, me causa felicidade. Quero estar feliz junto com eles. Não tenho grandes planos, nem desejos. Eu vou fazendo coisas que me dão a sensação de está viva, de está feliz.
Faço coisas que me dão a sensação de que ainda brilham os meus olhos. Acho que quando eu olho para alguma coisa que eu sinto... Hummm! Isso não faz meus olhos brilharem. Eu não fico. O que me dá o grande prazer é a sensação de está viva. Eu acho que muita gente no mundo não está viva... Está andando por aí...
Está viva é encontrar as pessoas. Mesmo com tanta falta de humanidade nos lugares por aonde vou. Mas o ser humano é isso: é crueldade, mas também é riqueza; é maldade, mas também é acolhimento do outro. Sabe quando você pensa não ter nada, mas você ainda tem espaço para acolher alguém dentro de você.
Eu gostaria de contar mais detalhes. Mas as pessoas querem ouvir até certo ponto. Eu não tenho direito de forçá-las a um mundo que não querem. Cada um tem a sua escolha. Inclusive a escolha de dizer: “eu quero viver nesse outro mundo”. E a alienação também traz felicidade. Mas eu não escolhi esse lado. Eu escolhi saber, eu escolhi ver.
Ver é uma sensação de ter muita gente dentro de mim. É uma sensação de estar muito plena de historia, de tudo e ter a sensibilidade de que eu não vou mudar o mundo, com toda certeza, mas eu posso mudar o mundo de alguma pessoa durante algum tempo.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sinceramente

Eu sou o desconhecido! Iniciei em minha vida uma nova aventura. Reconheci que uma boa história havia se encerrado e incumbi a mim a mim o desejo de começar outra. Estou me desconhecendo. Hoje, não basta saber quem eu sou. É preciso também saber quem eu não sou. Para, então, saber quem eu posso ser.


Estou vivendo um momento de vazio. O que descubro é que para manter algo de mim no vazio fui capaz de olhar para tudo com estranhamento para que eu pudesse enxergar possibilidades que um olhar viciado tornaria invisíveis. É preciso ter coragem de se manter sem saber quem é por um tempo, para poder então descobrir o que quer fazer com seu desejo.


Descobri também que deveria fechar algumas portas- e não mais abri-las. Quando quase tudo está em aberto, é preciso ser muito seletivo em relação às portas. O que eu quero o que eu não quero. O que é importante, o que não é importante. As pessoas com quem vale à pena compartilhar projetos, as que não quero manter perto de mim. O que me leva a algum lugar novo ou a alguma forma nova de ver o mesmo lugar, o que me trás de volta ao mesmo ponto.


Descobri ainda que é preciso resistir também às certezas que as pessoas têm sobre nós. Há gente de todo tipo. E alguns ficam muito desorientados se a gente muda, se qualquer coisa ao redor deles muda.
Fechar portas é também virar as costas para quem exige que sejamos sempre os mesmos para sua própria comodidade. Descobrir as outras possibilidades do que sou é neste momento minha maior tarefa. Este é o momento da minha vida que é apenas um momento que também deve ser superado para que outros possam vir, já que não me interessa sair de um escaninho para cair em outro. Mas que me tornará melhor do que eu pude ser antes de construir a chance de viver a verdade dessa busca.


Dizer que sou isso ou aquilo me torna imutável e, portanto, morta. A verdade é que eu não tenho idéia de quem eu sou. Ótimo! Estou começando a me conhecer, para me perder logo adiante. Afinal, para que mais serve a vida?

Mudança!

Quase todos nós temos algo que gostaríamos de ter feito. E não fizemos. Um plano mirabolante que tinha tudo para dar certo, mas que nunca tentamos. Aquelas idéias que parecem ótimas na mesa de bar e, como ratos sorrateiros, escondem-se nos porões no primeiro raio de sol. Eu quero ter um café, uma livraria, uma livraria com café ou um café com livraria. Eu quero ser médica. A melhor médica. Tenho uma amiga que quer ser repórter. Outra que ser ter um consultório odonto - psicológico. Amigos que querem uma família de dez filhos.


Conheço um monte de gente que desejava fazer mais do que já ousou fazer, mas em algum momento deixou passar a chance de recosturar seus sonhos com o fio do possível. Preferiu se deixar convencer de que ser adulto era assumir uma idéia de responsabilidade que excluía a possibilidade de se reinventar a qualquer momento. E isso é real: pode não existir amor para sempre, nem vida para sempre, mas descobri que existe desistência para sempre.
Eu vivo esse dilema, já faz algum tempo. E resolvi escrever essa história porque tive a ousadia de reinventar a minha vida. Não aos 15, mas aos 25. Eu rejeito aquilo que chamo de vida de... E se?


E se eu tivesse feito isso e não aquilo? E se eu tivesse tido coragem? E se eu tivesse me divertido? E se eu tivesse sido mais corajosa? E se eu tivesse amado mais? E se? E se? E se? Não há nada mais triste do que uma vida de “e se”?
Manaus é uma cidade perfeita. E não foi a toa que o destino quis que eu nascesse aqui. Essa cidade oferece a qualquer um uma gama de oportunidades além de ser coberta por um colar que gruda na alma da gente. A cidade vai muito bem quando chove e faz sol na medida certa para o calor que gruda na alma da gente. A cidade vai muito bem quando chove e faz sol na medida certa para o calor humano. Ou seja, viver aqui depende do imponderável. Ouvi de muitas pessoas que era preciso sair daqui para viver melhor e ser feliz. Mas foi aqui, no calor dessa cidade que eu descobri que viver e ser feliz são uma fonte inesgotável de prazer. Acalme-se estou apenas situando o contexto onde eu comecei a salpicar os primeiros ingredientes de minha utopia.


Eu gosto de estar com pessoas, de ver gente, de movimento. Não é uma regra absoluta, mas quase. Para que tentar algum lugar novo se Manaus é garantia certa de diversão.
Quem vive uma vida medíocre, um dia quer mudar. Ou finge que quer. Deixar a construção de uma vida é uma espécie de jornada de herói. Não sei qual é a estatística mas a maioria não sai do lugar.
Apaixonei-me pelo curso de Letras desde a infância. Declarava pequenos trechos de Castro Alves à Machado de Assis. Meu irmão dizia que eu era a verdadeira pílula falante. Ensaiei uma faculdade de Letras quando chegou à hora, depois larguei- a. Aventurei-me a tentar medicina. Não foi possível. Voltei ao curso de Letras. E tudo isso me pareceu bom. Mas bom engloba tudo o que está na medida do possível. Nesse período, eu via muitos amigos olhando desconsolados para as ruínas de seus sonhos. Mas eu sabia que não estava entre eles. O deles parecia ser um destino resolvido.


Até que tive uma idéia. Deixei o curso de Letras para sempre. Falei com uns amigos. Arranjei um emprego e decidida a trabalhar na área da saúde, comecei um curso técnico de enfermagem.
Conciliei o trabalho com o curso técnico. Descobri que nos anos anteriores eu tinha vivido como um parasita. oE ainda mais, paralelo a isso voltei a me preparar para o vestibular de medicina. É tão bom, colocar os pés no chão, redescobrir que existe uma vida muito melhor. E em vez de ficar só sonhando, como a maioria faz, eu fiz.
O meu projeto era trabalhar em algo que me desse prazer. Investir no curso técnico e após o término do curso, me dedicar a faculdade de medicina, e assim unir o útil ao agradável. Simples assim.
Virar a vida pelo avesso. Eu tinha acabado de inventar um filme para botar dentro da minha vida. Não fiquei só falando ou lamentando uma vida que se estreitava. Alarguei meu mundo com as mãos, a cabeça e a força de um desejo que não deixei morrer. Uma vez fiquei pensando como teria sido cada noite, quando tudo podia dar errado.


O que poderia passar pela minha cabeça enquanto lecionava em uma escola que só me fazia mal.
Quanto medo eu tive. Nem mesmo dinheiro havia para esse investimento. E se eu não entedesse a linguagem médica. E se tivesse um chato que azedasse o meu ideal tão prematuro? Tudo podia acontecer. Até mesmo dar certo.
E deu. Quem comprou a idéia também queria uma ponta nesse filme. Minha família, como sempre, por trás de tudo o que eu faço. A felicidade para mim é um conceito global, ou existe felicidade para todos, ou não existe felicidade.
Tudo se tornou tão melhor. A minha cozinha, onde aos domingos a minha família se reúne se tornou tão cheia de aromas quanto de histórias. As conversas entre panelas e tomates, carnes. E a luz dourada do fim do dia atravessando o vidro da janela para pousar sem pressa na tampa das panelas.


Cada um se tornou melhor a partir desse dia em que a vida finalmente cumpria a si mesma. Al mondo é o nome do melhor de todos os sonhos, porque é um sonho que deixou de ser. Não por desistência, a causa mortis mais freqüente dos sonhos, mas por coragem.
Depois que tudo dá certo, parece fácil. Mas a vida de todos se decide é muitos meses antes, quando a gente não sabe se vai dar certo. E mesmo assim percebe que a coisa mais inteligente a fazer é botar a cabeça no lugar antes que seja tarde. Eu não me arrependo de nada. Nem mesmo de ter tirado a cabeça do lugar. Toda vez que o senso comum achou que eu estava destrambelhando fui parar num ponto interessante da vida.


Eu não sabia de nada, mas tive certeza que fiz tudo para que desse certo.
Eu sou uma mulher que sonha com os dois pés metidos em sapatos interessantes, mas com os saltos bem fincados ao chão.
E com tudo o que sou mudei os rumos da minha vida. E segui em frente. Com a vista para o mundo. Quanto às coisas que não mais fiz, olhei bem fundo uma derradeira vez. E fiz uma busca do pedaço do planeta onde acordei na manhã seguinte.